Vinhos selvagens: novas safras da Villalobos chegam ao Brasil

Já é fantástico quando o vinho leva seu apreciador por uma viagem pelos sentidos. Mas é inesquecível quando propõe uma viagem pela história da vitivinicultura e, mais ainda, a uma quebra de paradigmas sobre como se expressa um terroir. Com uma proposta natural e selvagem, novos rótulos selecionados da Villalobos – Viñedos Silvestres chegam com exclusividade ao Brasil através da Importadora Vinhos Novo Chile. 

Villlobos Carignan

O destaque vai para o Viñedo Silvestre Carignan 2018, um varietal que foge totalmente ao que se conhece das bebidas elaboradas com a uva. A princípio por ser de vinhas velhas da zona costeira do Vale de Colchagua, na região de Ranguili – a 30 km do Pacífico. Plantadas por volta de 1950, foram “esquecidas” e redescobertas mais de meio século depois, em total simbiose com a vegetação nativa local.  

“São videiras que continuaram frutificando, ano após ano, sem pesticidas, herbicidas ou qualquer intervenção humana; e que eram podadas, naturalmente, pelos cavalos da propriedade. Um terroir em pleno bioequilíbrio”, conta Martin Villalobos, engenheiro e sócio da vinícola.

A colheita na Villalobos é manual e, por vezes, necessita de uma ajuda extra.

A colheita na Villalobos é manual e, por vezes, necessita de uma ajuda extra.

A safra que chega ao Brasil provém desses parreirais de condução livre, que alcançam até 4 metros de altura. Após a colheita manual, as uvas são vinificadas da maneira mais natural possível: o vinho fermenta sem controle de temperatura e com leveduras nativas, estagia por 18 meses em barricas usadas de carvalho francês, é decantado por gravidade e engarrafado sem filtração ou prensagem. O resultado é um tinto equilibrado, fresco, macio e elegante, com aromas de frutas vermelhas silvestres, flores e ervas do campo.

Também chegam ao Brasil exemplares do Zorrito Salvaje 2018, elaborado com uvas de parreirais centenários – conduzidos sem irrigação por famílias chilenas. São elas a Cinsault, do Vale do Itata; e País, do Vale do Maule. Vinificado como o Carignan, porém sem estágio em barricas, este rótulo foi definido pelo crítico Robert Parker como um “tinto suculento, com aromas de fruta madura, notas de ferro e um pouco de ervas com algo terroso”.

O terceiro rótulo é o Lobo Carménère 2019. As uvas foram plantadas há 20 anos no mesmo terroir do Carignan e trazem a mesma proposta natural de vinificação, revelando notas de frutas vermelhas maduras e pimenta verde, típica da variedade. No paladar, traz uma acidez marcante e taninos macios, com intenso sabor frutado e final levemente adocicado. 

Hoje a Villalobos produz cerca de 30 mil garrafas destes três rótulos (número sujeito à produtividade da safra), distribuídas em todo o mundo. No Brasil, podem ser encontradas no site www.dagirafa.com.br e nas melhores lojas especializadas.

Villalobos e seus vinhedos silvestres

Enrique Villalobos, Rolando e Martin em meio às videiras "criadas soltas" da família

O artista plástico Enrique Villalobos e os filhos, Rolando e Martin Villalobos, em meio às videiras “criadas soltas” da família

A propriedade onde hoje está a Villalobos – Vinhedos Silvestres recebeu seus primeiros parreirais entre 1940 e 1950. Pelo menos 300 hectares de Carignan e Semillon foram cultivados, mas logo abandonados. Em 1978, a família do respeitado artista plástico chileno Enrique Villalobos adquiriu o terreno com intenção de montar um negócio florestal, sem dar qualquer importância às vinhas com uvas tintas se persistiam no local. “Pensávamos que se tratava da uva País, que na época não era valorizada. Deixávamos que virassem alimento para os cavalos”, conta Martin Villalobos, um dos filhos de Enrique. 

Em meados de 2007, durante um passeio a cavalo, o engenheiro agrônomo e amigo da família Mathieu Rousseau notou as curiosas parreiras. Havia uva rentes ao solo e outras a mais de 4 metros de altura, em arbustos de três metros de diâmetro, crescendo junto às demais árvores nativas. Para colhê-las, escadas seriam necessárias. Pragas comuns às videiras tradicionais eram combatidas sem problemas dentro do próprio ecossistema. E as chuvas condensadas em uma só época do ano forçaram uma profunda adaptação nas plantas: cachos espaçados, que permitem melhor escoamento da água e impede a formação de fungos. 

Videiras são trepadeiras. E na Villalobos, encontram liberdade para alcançar até 4 metros de altitde

O profissional e diversos outros conhecidos da família, envolvidos na produção enológica chilena, incentivaram os Villalobos a vinificar aquelas uvas especiais. “À época, recebi milhares de conselhos sobre como deveríamos trabalhar o campo ou elaborar nosso vinho, mas devo ter seguido somente uns dez. Queríamos preservar o que tínhamos de único”, conta Martin. 

Uma adega foi montada no atelier de Enrique Villalobos, dentro do Valle de los Artistas, em Colchagua; e o artista assinou as aquarelas dos rótulos. Tamanho diferencial não demorou a ser notado: a safra 2009 ganhou os prêmios de Vinho Revelação e Melhor Carignan no Guia Descorchados 2011.

Foram muitas as excelentes pontuações, premiações e resenhas positivas nas safras seguintes, mas nada mudou a maneira como a família vê o negócio. “Não buscamos fazer o melhor vinho, buscamos revelar o melhor que a natureza pode dar, com respeito à sazonalidade e às características do nosso terroir. Quando nos perguntam como definimos nosso estilo, dizemos que é antigo – similar ao que romanos e gregos tomavam há 4 mil anos”, conta. 

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